Sobre... O Amor. #104

“Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.”

Oscar Wilde

O amor justifica, mas não absolve.

E por mais que pareça injusto, arrependimento não é o bastante para nos absorver de nossos erros, às vezes temos que sofrer as conseqüências.

Gostamos de bancar os heróis. Existem momentos em nossas vidas em que pensamos em nós mesmos como altruístas, e esses costumam ser nossos momentos mais egoístas. Afinal, estamos morrendo por amor ou ansiamos um pouco de sua imortalidade? Estamos deixando o outro ser feliz ou querendo que se culpe por nossa infelicidade?

Amar não é como criar um cachorro.

Ser amado é.

Mas os cachorros em geral, não são depósitos de pulgas: são nossos amigos fiéis. Sim, eles são. E mesmo que isso nos irrite e os façamos calar, quando eles latem com nossas visitas é para nos proteger.

E quando latem conosco é porque estamos sendo estúpidos.

Muitas vezes não notamos, porque as vítimas nesse momento são eles.

É tão lindo como correm e se agitam quando estão felizes!  E é tão penoso que voltem rastejando para a gente quando os maltratamos.

Porque cães são assim: você bate muito neles e eles acabam achando que deve merecer aquilo. Os cães pensam assim porque sabem tudo sobre o amor: eles nos amam.

Nós é que não fazemos isso direito. Nós é que achamos que podemos controlar a vida de quem amamos. Escolher suas amizades, monopolizar seu tempo, apagar seu passado, consertar vidas que não estavam quebradas, modificar sonhos que não eram nossos. E, se pudéssemos, leríamos seus pensamentos mandando a privacidade ao inferno só para satisfazer nossa curiosidade e nossa insegurança infantil de saber se somos amados.

E nossa prova de amor inquestionável é morrermos por isso.

Morrer de amor é poético.

E assim, antes de nos darmos conta, a declaração vira ameaça, a beleza vira medo e tudo não passa de nada, além de chantagem emocional. Se você me deixar, eu morro. Não há beleza, não há poesia, não há amor. Como dizia Shakespeare, “poucas pessoas sabem a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma”. A bem da verdade, poucas pessoas morrem por amor e na maior parte dos casos, o ser amado talvez nunca chegue a saber. Não é, então, curioso que tantas pessoas ameacem se matar por isso?

Terminamos aqui, tentando adestrar nossos cães para que parem de latir com nossas visitas, batendo neles para isso. Até que um dia nos olham tristes e se calam, conformados de que o dono deve ter razão, e mesmo sabendo que as visitas estão invadindo seu território e que agora será trancado no quintal até saírem, ele se conforma que foi seu dono que o colocou ali, e uiva a noite inteira tentando entender o que fez de errado para merecer aquilo.

E ficamos felizes porque o ensinamos quem manda.

Nós é que não aprendemos nada.

 

Texto (brilhante diga-se de passagem) retirado do TWILIGHT HATERS BRASIL.

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